Se hoje sangro é porque fui eu mesmo que me cortei, e de tão profundo esse corte quase me tira todo sangue, enlouquecido e fraco me dá vontade de arrancar meus olhos, de gritar a plenos pulmões teu nome...mas sei que você não pode me escutar, a vida sempre continua, ela tem que continuar, por maior que seja a dor que eu sinta, não posso parar.
A mim jamais foi dado de presente pelo destino o dom de escolher meus amores, eu sempre fui escolhido, pelas moças de vestido de lua, pelas pastoras de nuvens, pelas mulheres que vivem na neve e pela filha do vento...e uma vez selecionado por elas nasce um novo ser dentro de mim, tanta vontade que tenho de amar as pessoas, de mostrar pra elas quem eu sou, de não esconder minhas trevas e de iluminar e aquecer com minha luz.Os passos do meu caminhar, tantos nomes, eu amei a lua, eu amei a nuvem, eu amei a moça que tocava piano, a que era uma boneca de pano, eu amei a Lírio do campo, eu amei a ventania...tenho medo de morrer sozinho atormentado pelos fantasmas, como um castigo por ter amado demais, como se amor, como se amor, como se amor....como se amor pra mim fosse uma eterna dor.
Mas como tudo na vida...mas como tudo nessa vida....mas como tudo nessa vida um dia acaba, e os pecados foram todos meus, nunca ninguém pegou meu coração e o atirou pela janela para que ele se espatifasse no chão, fui eu que sempre errei.
Eu estou logo atrás de você, mas sei que não quer mais olhar para trás, as ondas se quebram na praia e fazem espuma, o mesmo vento que sopra os teus cabelos também sopra os meus, posso sentir seu perfume, posso até mesmo saber o que está pensando. “Eu disse que te detestava? Que jamais te perdoaria pelo o que me fez? Eu sempre quis deixar tudo isso para trás, mas você não quis, mas você preferiu escapar, fugiu com outra.E quando se arrependeu e tentou voltar, já era tarde demais...”
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