28 maio, 2008

Espera...

Não me digas adeus, ó sombra amiga,
Abranda mais o ritmo dos teus passos;
Sente o perfume da paixão antiga,
Dos nossos bons e cândidos abraços!

Sou a dona dos místicos cansaços,
A fantástica e estranha rapariga
Que um dia ficou presa nos teus braços...
Não vás ainda embora, ó sombra amiga!

Teu amor fez de mim um lago triste:
Quantas ondas a rir que não lhe ouviste,
Quanta canção de ondinas lá no fundo!

Espera... espera... ó minha sombra amada...
Vê que pra além de mim já não há nada
E nunca mais me encontras neste mundo!...

...

Vivemos em tempos diferentes, aqui noite fria, aí tempo quente, enquanto no meu relógio são seis horas, no seu já é meio-dia. E nossas noites não são iguais, quando a minha começa a sua já terminou, quando estou dormindo e sonhando contigo aqui, você já está de pé caminhando por aí.
Nossa agenda não combina e nossos calendários não coincidem, enquanto estou na terça com meu escapulário, você já vive a sexta-feira guardando suas roupas brancas no armário. Quando estou sob o signo de câncer em julho, você recebe as influências da constelação de virgem em setembro.Tudo sob juramento e testemunho.
Mas o descompasso ilude quem sobre nós pouco sabe, apesar dos gigantes do universo cavar buracos negros entre nós, tempo e distancia nunca vão ser páreos para a nossa paciência. Pecamos pela carência, mas somos invencíveis pela nossa sensibilidade.
Sabemos que a distancia entre nós é só um detalhe e que o tempo é só uma das muitas circunstâncias da eternidade.